O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (25) que a privatização da Sabesp foi necessária para evitar problemas futuros de abastecimento de água na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A declaração foi feita durante um evento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), com participação de empresários do setor.
Ao defender a desestatização da companhia, Tarcísio afirmou que, caso a privatização não tivesse sido realizada, “ia faltar água na região metropolitana de Campinas”. O governador classificou a desestatização como o projeto de que mais se orgulha em sua gestão e afirmou que a medida permitirá a realização de investimentos em infraestrutura de saneamento.
A declaração ocorre em um contexto no qual o abastecimento da RMC depende de diferentes sistemas municipais e estaduais. Campinas, por exemplo, não é atendida diretamente pela Sabesp: o serviço de água e saneamento da cidade é realizado pela Sanasa. No entanto, o município tem forte dependência do Rio Atibaia, cuja vazão é influenciada pelas regras de operação do Sistema Cantareira, administrado pela Sabesp.
Cinco cidades da RMC são atendidas pela Sabesp
Na Região Metropolitana de Campinas, formada por 20 municípios, a Sabesp é responsável pelos serviços de saneamento em cinco cidades: Hortolândia, Itatiba, Monte Mor, Morungaba e Paulínia. Os dados constam de diagnóstico do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) da RMC.
Os demais municípios possuem outros modelos de prestação. Campinas é atendida pela Sanasa; Americana pelo DAE; Indaiatuba pelo SAAE; Nova Odessa pela Coden; Valinhos pelo Daev; Vinhedo pela Sanebavi; e outras cidades mantêm serviços municipais ou autarquias. Sumaré, por sua vez, possui serviço operado por empresa privada.
A relação é importante porque a declaração de Tarcísio sobre a possibilidade de falta de água na RMC não significa que os 20 municípios sejam abastecidos diretamente pela Sabesp. A companhia também exerce papel regional na gestão de sistemas hídricos que influenciam o abastecimento, como o Sistema Cantareira, além de atender diretamente as cinco cidades mencionadas.
Governador defende investimentos
Durante o evento, Tarcísio também afirmou que São Paulo precisa estar preparado para receber investimentos em infraestrutura e saneamento. Segundo ele, a disponibilidade de água e a estrutura energética são fatores que podem favorecer a atração de novos empreendimentos para o Estado.
O governador criticou os opositores da privatização e afirmou que parte das críticas seria resultado de desconhecimento sobre o funcionamento do setor. A Sabesp foi privatizada pelo governo paulista em 2024, após a aprovação do processo de desestatização.
O tema também é alvo de críticas de adversários políticos de Tarcísio. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), principal adversário do governador na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, afirmou em recente sabatina que não pretende defender uma simples reestatização da empresa, mas propõe uma revisão dos termos do contrato e uma mudança na gestão.
Abastecimento é desafio regional
A questão hídrica é considerada estratégica para a RMC devido ao crescimento populacional e econômico da região. O Sistema Cantareira é um dos principais mananciais utilizados para o abastecimento regional, enquanto municípios também dependem de estruturas próprias e de diferentes rios e reservatórios.
Em documento de planejamento do município, Campinas aponta que é importante reduzir a dependência do Rio Atibaia, já que alterações de vazão, problemas de qualidade da água ou acidentes podem comprometer o abastecimento. O planejamento municipal destaca ainda que a vazão do Atibaia é fortemente influenciada pelas regras operativas do Sistema Cantareira, administrado pela Sabesp.
Assim, embora Campinas não seja cliente direto da Sabesp, decisões relacionadas à operação de sistemas estaduais de recursos hídricos podem ter impacto sobre a segurança hídrica da cidade e de outros municípios da Região Metropolitana.






