O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, afirmou, em entrevista à Jovem Pan News, que pretende permanecer na disputa até o fim e disse que o eleitor pode definir o voto apenas no momento da eleição. Zema também falou sobre um eventual segundo turno, críticas ao PT, apostas esportivas, decisões judiciais e propostas para um possível governo.
Pesquisas eleitorais
Questionado sobre as pesquisas de intenção de voto, Zema afirmou que considera os levantamentos como referência, mas ressaltou que os resultados podem não se confirmar nas urnas. “Eu respeito as pesquisas, levo-as em consideração, só que pesquisas sempre estão direito a falhar. Se eu dependesse de pesquisa, eu nunca teria sido eleito governador em 2018, e a Dilma seria senadora hoje, que durante as pesquisas ela ficou o tempo todo em primeiro lugar, lá no ano de 2018. Mas as pesquisas servem como referência.”
Zema também citou levantamentos recentes sobre o eleitorado indeciso e comparou a escolha eleitoral à decisão de um cliente em um restaurante. “Mas nós temos pesquisas recentes também, que apontam que 41% dos brasileiros ainda não sabem em quem votar. Isso saiu agora, bem recente. Eu tenho dito sempre que pesquisa eleitoral é muito semelhante, aliás, eleição, é muito semelhante a cardápio de restaurante. Você costuma escolher na hora que chega o momento de decidir, e não antes.”
Na pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (24), Zema aparece com 1% das intenções de voto no primeiro turno. O levantamento ouviu 3.000 eleitores entre 20 e 23 de setembro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Posição sobre o 2º turno
Questionado sobre um eventual segundo turno, Zema afirmou que sua trajetória política é marcada pelo enfrentamento ao PT e declarou que apoiará quem estiver contra o partido. “Mas a minha vida política é combater o PT. Entende? Tem que ficar claro aqui. Eu fui ser governador de Minas Gerais, fui eleito e reeleito para combater o PT que destruiu Minas e está destruindo o Brasil. Quem estiver contra o PT terá o meu apoio.”
Vídeo com inteligência artificial
Zema também foi questionado sobre uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionada a um vídeo de campanha produzido com inteligência artificial. Na animação, fantoches representavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como presidiários.
O candidato afirmou que respeita decisões judiciais, mas disse discordar da decisão. “Eu acato decisão judicial, mas falar que eu concordo, não concordo não. Inclusive estou respondendo nesse momento, Marco, um inquérito, uma ação que o ministro Gilmar Mendes moveu contra mim devido aos fantoches, entende, sátira. Eu não estou falando mentira.”
O TSE estabeleceu em setembro critérios para caracterizar conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial nas eleições de 2026.
Zema defende fim das bets
Outro tema abordado na entrevista foi o funcionamento das plataformas de apostas esportivas. Zema se declarou favorável ao fim das bets e classificou o setor como um problema de saúde pública. “Diversos países sérios, não estou falando de autocracias, ditaduras, não. Já deram um basta nas bets. É a cocaína digital.”
Combate à corrupção
Zema também defendeu medidas de combate à corrupção e disse que, em um eventual governo, pretende acabar com supersalários e ampliar a prestação de contas sobre os gastos públicos. “Como presidente, vou ser o primeiro a dar exemplo, acabar com super salários, acabar com essa falta de prestação de contas, cem anos de sigilo. Lá em Minas era 30 dias, era até a contabilidade fechar o mês e publicar. Por que lá em Brasília não pode ser assim? Porque aquilo que o presidente gasta, os ministros gastam, vai ficar aí cem anos para os nossos bisnetos poderem avaliar.”
Facções como organizações terroristas
Na entrevista, o candidato também defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e afirmou que pretende enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. “É você ter um tumor que está te corroendo. Então sou totalmente favorável. Quando tem gente aí que fala, ah, não pode fazer cooperação com outros países que vai vir inteligência de fora, um atentado contra o Brasil, atentado é 60 milhões de brasileiros viverem hoje em áreas controladas pelas facções, pelas organizações criminosas que eu vou enquadrar como terrorista.”
Após a entrevista, Zema seguiu para outros atos de campanha em Holambra e Jaguariúna, na Região Metropolitana de Campinas.






