Campinas propôs a criação de um hub de tecnologia e inovação para integrar os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). A proposta foi apresentada nesta terça-feira (18), durante reunião do Conselho da RMC, realizada no espaço Mescla, no Campus 1 da PUC-Campinas. O encontro também discutiu os impactos dos extremos climáticos e ações de preparação para a chegada do fenômeno El Niño.
O prefeito de Campinas e presidente do Conselho da RMC, Dário Saadi, defendeu a articulação entre as cidades para ampliar a atração de empresas, investimentos e novos negócios ligados à tecnologia. Segundo ele, os municípios poderão adotar legislações voltadas à atração de empresas do setor, incluindo regras de sandbox e incentivos.
“Campinas vai disponibilizar aos municípios da RMC sua experiência e suas leis de sandbox e de incentivos, para que possamos criar um ambiente favorável à instalação e ao desenvolvimento de empresas de tecnologia e inovação em toda a região. Queremos consolidar a RMC como um Vale do Silício nacional”, afirmou Dário.
A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Adriana Flosi, apresentou a proposta de articulação regional para integrar os ecossistemas de ciência, tecnologia e negócios. Segundo ela, a região reúne universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia, indústrias e investimentos que podem ser articulados em uma estratégia conjunta.
“Podemos transformar toda essa força numa identidade regional. Esta é a nossa ideia de ter um hub de tecnologia na região metropolitana de Campinas, trazer oportunidade para todos”, afirmou Adriana. Os prefeitos dos municípios da RMC aprovaram a proposta e se comprometeram a discutir medidas legislativas para avançar na criação do hub.
Região também discute impactos do El Niño
Durante a reunião, representantes da Defesa Civil, da área ambiental e do Cepagri da Unicamp apresentaram informações sobre a chegada do El Niño e os possíveis impactos sobre as condições climáticas da região. Entre os riscos apontados estão temperaturas elevadas, ondas de calor, incêndios e possibilidade de temporais intensos.
O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, defendeu a adoção de protocolos integrados entre os municípios. “Estamos recebendo alertas constantes de alta temperatura, riscos de incêndio e a possibilidade dos temporais muito intensos. É importante que as cidades da RMC atuem de forma conjunta, com protocolos integrados”, afirmou.
A pesquisadora e meteorologista do Cepagri, Ana Ávila, explicou que o fenômeno está em andamento desde julho e pode provocar temperaturas acima da média e ondas de calor. A assessora técnica ambiental da Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade de Campinas, Angela Guirao, destacou a necessidade de cada município estabelecer uma estrutura própria de governança climática e, ao mesmo tempo, atuar de maneira integrada.
Entre as iniciativas apresentadas estão a criação de bases móveis para atendimento em situações de emergência, Centros de Operações de Emergência (COEs), protocolos conjuntos de combate a incêndios e o uso do radar meteorológico da Unicamp, que está em operação desde dezembro de 2025 e possui cobertura de até 100 quilômetros.
Campinas também iniciou a implantação de uma rede com 21 estações meteorológicas. Cinco equipamentos já estão em funcionamento. A proposta é ampliar a capacidade de monitoramento e preparação para eventos climáticos na cidade e integrar as informações às ações desenvolvidas pelos demais municípios da região.







