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Quem são os suspeitos de tentar golpe na herança do fundador da Unip/Objetivo

by Redação
6 de abril de 2026
in Destaques
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Quem são os suspeitos de tentar golpe na herança do fundador da Unip/Objetivo


Três meses após a morte de João Carlos Di Genio, uma empresa desconhecida apresentou cobrança milionária baseada em contratos com sua suposta assinatura

Divulgação/UnipO professor e fundador da Unip João Carlos Di Genio morreu aos 82 anos em SP Foto: Divulgação/Unip
O professor e fundador da Unip João Carlos Di Genio morreu aos 82 anos em SP. 

Um trio de suspeitos é investigado por tentar aplicar um golpe milionário contra os herdeiros de João Carlos Di Genio, empresário e fundador do grupo Unip/Objetivo, que morreu em 2022 e deixou uma herança estimada em R$ 16 bilhões. As informações dos suspeitos foram reveladas em reportagem do Fantástico, da TV Globo.

De acordo com a matéria, uma empresa desconhecida da família apresentou, meses após a morte de Di Genio, uma cobrança milionária baseada em contratos com assinaturas supostamente falsificadas.

A investigação policial resultou na decretação de nove prisões preventivas; até agora, um suspeito foi preso e os demais são considerados foragidos.

Entre os principais investigados estão:

– Luiz Teixeira da Silva Júnior, ligado à empresa que apresentou a cobrança;
– Rubens Maurício Bolorino, ex-policial civil com passagens por esquemas de venda de decisões judiciais;
– Wagner Rossi Silva, responsável pela entidade usada no caso;
– Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, apontado como facilitador do grupo, que está preso.

Segundo o Fantástico, Luiz Teixeira aparece como ligado à empresa que apresentou a cobrança, que alegava uma dívida de centenas de milhões de reais por uma suposta compra de terrenos — negociação que a família afirma desconhecer. Perícias indicaram que assinaturas do empresário teriam sido copiadas de documentos originais e inseridas digitalmente em contratos considerados falsos.

Após a negativa da Justiça comum, o grupo recorreu a uma câmara arbitral para tentar validar a cobrança, elevando o valor para perto de R$ 1 bilhão. A entidade utilizada no processo seria controlada por Wagner Rossi Silva e, de acordo com investigadores, funcionava como um espaço sem estrutura real.

Segundo o Fantástico, o ex-policial civil Rubens Maurício Bolorino teria atuado como testemunha para dar aparência de legalidade ao esquema. Ele já havia sido preso anteriormente em investigações da Polícia Federal.

Os suspeitos são investigados por crimes como estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e tentativa de induzir a Justiça ao erro.

A câmara arbitral atua como uma forma de justiça privada: em vez de recorrer ao Judiciário, geralmente mais lento, as partes escolhem um árbitro para decidir o conflito. A decisão, chamada sentença arbitral, tem o mesmo peso de uma determinação judicial.

No esquema investigado, foi utilizada a Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação). O responsável pela entidade é Wagner Rossi Silva, que segundo a reportagem do Fantástico, possui antecedentes por tráfico de drogas, estelionato e crimes contra o patrimônio.

De acordo com as apurações, a Colonizadora teria contratado a Fonamsp para viabilizar a manobra jurídica. “Foi tudo uma encenação. Esses criminosos identificaram brechas na regulação para tentar obter vantagem econômica”, afirmou o promotor de Justiça Carlos Bruno Gaya da Costa ao Fantástico.

A reportagem da Jovem Pan tenta localizar as defesas de Luiz Teixeira da Silva Júnior, Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, Wagner Rossi Silva e Rubens Maurício Bolorino, que, até o momento da publicação, não foram localizadas. O espaço segue aberto para manifestações.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também aponta outros envolvidos no caso. Entre eles estão Anani Cândido de Lara, suspeito de participar da elaboração de documentos e contratos; Patricia Alejandra Ormart Barreto, que teria simulado notificações sem conhecimento do espólio; e Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat, apontada como responsável por auxiliar na formalização dos contratos.

Também são citados Carlos Xavier Lopes, ligado ao núcleo financeiro e suspeito de ocultar a origem dos valores, e Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura, que teria atuado como “juíza arbitral” em uma decisão considerada simulada.

Em nota enviada ao Fantástico, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que câmaras arbitrais são entidades privadas, sem credenciamento ou fiscalização prévia do Judiciário, mas destacou que seus atos podem ser posteriormente revisados pela Justiça.

Entenda o caso 

O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou uma operação para desarticular uma quadrilha suspeita de tentar aplicar um golpe de R$ 845 milhões contra o fundador do grupo Unip Objetivo, João Carlos Di Gênio.

Segundo as investigações, o grupo utilizava contratos fraudulentos para sustentar cobranças judiciais e extrajudiciais indevidas contra o inventário. A estratégia, de acordo com a promotoria, consistia em simular dívidas milionárias e induzir tanto as vítimas quanto o próprio Poder Judiciário ao erro, com o objetivo de viabilizar pagamentos ilegítimos.

A operação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão. De acordo com o Ministério Público, os suspeitos atuavam por meio de duas frentes empresariais. Uma delas envolvia a Colonizadora Planalto Paulista Ltda, enquanto a outra utilizava a empresa Fonamsp, apresentada como entidade de mediação e arbitragem, responsável por conferir aparência de legalidade às cobranças.

Ainda conforme a apuração, os contratos falsos eram posteriormente utilizados para embasar procedimentos arbitrais simulados, criando uma estrutura formal que sustentaria as supostas dívidas. A intenção era pressionar o espólio a realizar pagamentos milionários com base em documentos fraudulentos.





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