Por meio de nota, a corporação afirmou que segue ‘rigorosos padrões de segurança no tratamento de informações’ coletadas em suas investigações

A Polícia Federal (PF) comunicou nesta sexta-feira (6) que, por orientação do diretor-geral Andrei Rodrigues, encaminhou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), representação para a instauração de investigação sobre “divulgação indevida” de mensagens coletadas no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mais cedo, o magistrado acolheu pedido da defesa do banqueiro e ordenou a apuração.
Por meio de nota, a PF ainda afirmou que “atua em todas as suas investigações seguindo rigorosos padrões de segurança no tratamento de informações, na preservação e garantia dos direitos fundamentais”, incluindo o “respeito à privacidade e à intimidade”.
“Nenhum relatório, informação de polícia judiciária ou representação apresentada, no âmbito da Operação Compliance Zero, conteve dados que não fossem relevantes para a instrução das investigações. Não foram incluídas, portanto, informações relacionadas à intimidade ou à vida privada dos investigados”, declarou a corporação.
A PF também informou que não é de sua competência “editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos”. A corporação acrescentou que os materiais apreendidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Master, estão sob seu poder desde novembro de 2025 e foram encaminhados para a Procuradoria-Geral da República (PGR) em janeiro. Por decisão do então relator do caso do Master no STF, o ministro Dias Toffoli, a defesa de Vorcaro teve acesso aos dados.
Por determinação do mesmo magistrado, o material oriundo da quebra de sigilo de Vorcaro, autorizada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), foi retirado da tutela do colegiado e repassado para a PF. Na quarta-feira (4), o atual relator do caso, o ministro André Mendonça, autorizou a devolução dos documentos.
No final do dia, conversas do banqueiro começaram a ser noticiadas na imprensa. As reportagens expuseram trocas de mensagens de Vorcaro com autoridades, a namorada e affairs. Também foram divulgadas citações feitas pelo dono do Master a deputados, senadores, ministros do STF, jornalistas e empresários.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. O dono do Master foi detido novamente na quarta-feira.
Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.







