Republicano deu um ultimato para o Irã e disse que o ‘está se esgotando’ e, caso não haja avanço, os iranianos enfrentarão consequências severas

O comando militar do Irã rejeitou, neste sábado (4), a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de destruir a infraestrutura vital do país se não aceitar um acordo para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz em 48 horas. Em um comunicado do Quartel-general Central Khatam al-Anbiya, o general Ali Abdollahi Aliabadi qualificou o ultimato de Trump como uma “ação impotente, nervosa, desequilibrada e estúpida”.
E, em alusão à mensagem publicada mais cedo por Trump em sua plataforma, Truth Social, na qual advertiu o Irã que desatará “o inferno” se não reabrir o estreito em 48 horas, o general alertou que “o significado simples desta mensagem é que as portas do inferno vão se abrir para vocês”.
Trump deu neste sábado o prazo de 48 horas para chegar a um acordo ou permitir a abertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo. Segundo ele, o tempo “está se esgotando” e, caso não haja avanço, os iranianos enfrentarão consequências severas.
“Lembrem-se de quando dei ao Irã dez dias para fazer um acordo ou abrir o Estreito de Ormuz. O tempo está se esgotando — 48 horas antes que o inferno caia sobre eles”, escreveu Trump.
ONU discute Ormuz na próxima semana
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas deve votar na próxima semana uma resolução do Barein para proteger a navegação comercial dentro e ao redor do Estreito de Ormuz, disseram diplomatas nesta sexta-feira (3). Nenhuma data foi anunciada.
A China, que tem poder de veto, deixou clara sua oposição a qualquer autorização do uso da força. O Barein, que atualmente preside o Conselho de Segurança, finalizou um esboço de uma resolução na quinta-feira que autorizaria “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial.
O que é o Estreito de Ormuz?
O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o mercado global de energia, concentrando cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo. Qualquer bloqueio ou tensão na região tende a impactar diretamente os preços internacionais da commodity.
Aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam por suas águas diariamente, volume que equivale a cerca de 20% do consumo global da commodity. Entender a geografia e o xadrez político dessa rota é essencial para explicar por que um possível fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã pode causar um colapso na economia global.
O grau de dependência do mercado internacional em relação ao Estreito de Ormuz é quantificado pelo volume de ativos que obrigatoriamente cruzam o canal. Além dos 20 milhões de barris diários de petróleo oriundos de nações como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, a via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta, proveniente em sua esmagadora maioria das matrizes produtoras do Catar.






