Uma argentina de 36 anos que é professora doutora em Engenharia de Alimentos foi identificada como a principal suspeita de retirar material biológico de um laboratório de virologia da universidade, em Campinas. O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal após o desaparecimento das amostras, registrado em 13 de fevereiro.
Segundo a apuração, os materiais pertenciam ao Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, vinculado ao Instituto de Biologia da universidade. Após semanas de investigação, os itens foram localizados em instalações da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde a docente exercia suas atividades acadêmicas.
A professora foi presa em flagrante na segunda-feira (23), durante cumprimento de mandados judiciais, mas teve a liberdade provisória concedida pela Justiça Federal na terça-feira (24), após audiência de custódia.
Ela vai responder pelos crimes de exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. Entre as medidas impostas estão o pagamento de fiança, comparecimento periódico à Justiça e restrições de deslocamento.
De acordo com documentos judiciais, as amostras estavam armazenadas em laboratório com nível 3 de biossegurança, considerado de alto risco, com potencial de causar doenças graves e exigência de protocolos rigorosos de controle.
A defesa da pesquisadora afirma que não houve furto e sustenta que ela utilizava a estrutura do Instituto de Biologia por não dispor de laboratório próprio adequado para suas pesquisas.
Alto Risco
As amostras biológicas retiradas de um laboratório da Unicamp estavam armazenadas em área classificada como nível 3 de biossegurança, considerada a mais alta disponível atualmente no Brasil para pesquisas com agentes infecciosos.
A informação consta em decisão da Justiça Federal que concedeu liberdade provisória à professora suspeita de retirar o material sem autorização, após análise dos elementos apresentados pela investigação.
Esse nível de biossegurança envolve agentes com alto risco para o indivíduo e potencial de disseminação na comunidade, exigindo protocolos rigorosos de manipulação, controle de acesso e descarte de resíduos.
De acordo com o documento judicial, o material é composto por vírus, embora detalhes específicos permaneçam sob sigilo por parte das autoridades sanitárias e de segurança.
Após a identificação do desaparecimento das amostras, os laboratórios envolvidos foram interditados para cumprimento de mandados judiciais e realização de análises técnicas.
A Unicamp informou que instaurou sindicância interna para apurar o caso, enquanto órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Ministério da Agricultura mantêm sigilo sobre os detalhes do material envolvido.
As investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias da retirada das amostras e eventuais responsabilidades no caso.







