Rádio
● AO VIVO JP News Campinas
segunda-feira, maio 18, 2026
No Result
View All Result
Campinas ☁️ --°C
JP NEWS CAMPINAS 100.3
  • Home
  • Cidades
    • Campinas
    • Indaiatuba
    • Americana
    • Hortolândia
    • Piracicaba
    • Limeira
    • Sumaré
  • Política
  • Economia
  • Esporte
  • Saúde
  • Educação
  • Programação
  • Contato
  • Home
  • Cidades
    • Campinas
    • Indaiatuba
    • Americana
    • Hortolândia
    • Piracicaba
    • Limeira
    • Sumaré
  • Política
  • Economia
  • Esporte
  • Saúde
  • Educação
  • Programação
  • Contato
No Result
View All Result
JPNews
Home Destaques

Quando o ‘sabor’ vira sentença

by Redação
1 de abril de 2026
in Destaques
0
Quando o ‘sabor’ vira sentença


Unsplash/Engin Akyurt sabor
Estudos da American Psychological Association indicam que a repetição torna uma ideia familiar

Na última semana, duas cenas atravessaram o debate público com mais força do que aparentam. Na Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Adrilles Jorge usou uma peruca para sustentar uma ideia simples: mudar a aparência não faz ninguém entender o que uma mulher viveu. Dias antes, na Assembleia Legislativa, a deputada Fabiana Bolsonaro escureceu a pele e afirmou que se identificar como uma mulher negra não significa ter vivido o racismo.

As duas falas apontam para um limite real claro. Experiência não se improvisa, dor não se ensaia, vivência não se declara. De fora, a lógica parece óbvia, principalmente quando não é com a gente. Mas existe uma exceção silenciosa que quase ninguém percebe. Ela aparece quando confundimos “sabor” com ser.

Há barras com “sabor” chocolate que nunca viram cacau. Parece, lembra, engana, mas não é. Com a experiência humana acontece o mesmo. Muitos discursos têm sabor de verdade, sem jamais terem tocado na vivência real. E o mais curioso: compramos essa embalagem com a mesma facilidade que aceitamos uma etiqueta do figurino.

A ciência explica essa passividade através do illusory truth effect. Estudos da American Psychological Association indicam que a repetição torna uma ideia familiar e, por isso, mais convincente, ainda que seja falsa. O que se repete vira conhecido, e o conhecido vira casa, mesmo quando essa residência é apertada, escura e sem janela. É assim que o figurino vira fato e a mentira se transforma em convicção.

Uma paciente ouvia quando era criança de sua mãe: “você é um lixo”. Outra, de um companheiro: “você é uma péssima mãe”. Também tive a paciente que ouvia do chefe: “você faz tudo errado”, enquanto pedia ajuda para apertar o botão enviar de um e-mail, mesmo ela sendo a gerente de marketing. E essa contradição do cargo não impediu a frase de entrar. Pelo contrário, a agressão se conecta com mais força.

Sinto dizer, mas o que aconteceu não ficou no passado. Volta na forma como hesita antes de tentar, na maneira como sempre acredita que cometeu algum erro ou que precisa se esforçar um pouco mais. E, o pior, quando tem uma conquista, vê o sucesso como detalhe. Imagine um dia de “céu de Brigadeiro”: azul, sem nuvens, lindo, mas comum o suficiente para não ser lembrado. O acerto vira obrigação, o erro torna-se prova irrefutável: você é um fracasso.

Freud já observava um movimento que, quando você reconhece, é impossível “desver”: aquilo que não é elaborado, retorna. Reaparece na forma de comportamentos cíclicos e escolhas próprias que te ferem. Você olha sua vida e pensa: é impressionante, parece que eu só me aproximo de pessoas que me fazem sentir a mesma coisa “um lixo”.

Quase como algo cármico. Mas não há nada espiritual nisso. É psicanalítico: “Repetir, recordar e elaborar”. Continuamos repetindo enquanto não elaboramos esse caminho. Apenas reconhecendo a estrutura encontramos saídas diferentes no mesmo labirinto. Como aponta o filósofo Byung-Chul Han, vivemos em uma sociedade que nos empurra para uma autoexploração exaustiva, onde o cansaço não é apenas físico, mas um sintoma dessa repetição vazia que aceitamos como identidade.

Torna-se gatilho deixar de preparar o lanche do filho para a mãe que ouviu que seria incapaz, assim como o erro apontado pelo chefe aciona a memória de quem cresceu escutando que não tinha valor. Nesse momento, a repetição entra em cena. Não das palavras em si, mas do sofrimento que elas acionam. A sensação de insuficiência encontra o caminho comportamental mais conhecido e por isso, automático. Você volta para o lugar onde já se sentiu pequena, frágil e insuficiente. “Esquece” de todas as conquistas e assume àquele momento anterior.

É aí que a “mágica” acontece: o comportamento se organiza rápido demais para parecer escolha. Você se diminui, evita se expor, se sobrecarrega e, com facilidade, acredita que não é boa o suficiente. O que acontece agora parece resposta ao presente, mas está muito mais conectado ao passado do que você gostaria de admitir. O gatilho é atual. A estrutura é antiga.

Existe uma ironia difícil de engolir. Exigimos experiência real para reconhecer a dor do outro, mas não exigimos prova alguma para acreditar na nossa insuficiência. Basta ter ouvido uma vez, no momento mais vulnerável, de uma pessoa importante emocionalmente, e pronto. A frase vira documento. A falha vira prova. A crítica vira sentença, assinada e autenticada por você mesma.

Não fica só o que disseram sobre você. Fica a lógica que veio junto. Você errou uma vez, então nunca foi boa. Falhou em um ponto, então é uma fraude inteira. A conta é sempre desproporcional. Um tropeço vira identidade. Na sua régua interna, quem é bom não falha. Quem é forte não hesita. Quem merece estar no holofote não vacila. Certo? É assim que o ciclo se mantém. Você não repete apenas a fala, repete o raciocínio que ela ensinou. Passa a viver como se precisasse merecer o espaço que já ocupa. Cada vitória vira obrigação. Cada falha vira revelação do seu “verdadeiro eu”.

No fim, essa coluna não é sobre perucas nem sobre cor de pele. É sobre repetição. Repetição de frases, olhares, humilhações e situações que te colocam no mesmo lugar: pequena, vigiada, em alerta. Por isso não basta entender racionalmente. Há experiências que viram registros e, quando acionadas, o comportamento automático assume o controle. Para quebrar o ciclo? Precisa perceber que a repetição é um bloqueio na avenida principal e você deve encontrar uma rota alternativa.

Quais escolhas ainda carregam a assinatura de uma voz antiga? Quantas respostas comportamentais nasceram de algo que nunca foi questionado? Quantas vezes você ainda vai chamar de verdade uma crueldade que apenas se repetiu o suficiente para parecer sua?

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





Fonte da notícia

ShareTweet
Redação

Redação

Mais da CBN Posts

MP instaura procedimento para acompanhar políticas públicas de educação digital em Campinas

MP instaura procedimento para acompanhar políticas públicas de educação digital em Campinas

by Portal JP News Campinas
18 de maio de 2026
0

O Ministério Público de São Paulo instaurou um Procedimento Administrativo de Acompanhamento para fiscalizar as políticas públicas de educação digital...

Petrobras investe R$ 17,6 bi na Replan e inicia produção de combustível de aviação em 2026

Petrobras investe R$ 17,6 bi na Replan e inicia produção de combustível de aviação em 2026

by Redação
18 de maio de 2026
0

A Petrobras anunciou investimentos de R$ 17,6 bilhões na Refinaria de Paulıínia ateˊ2030. O valor faz parte de um pacote...

Justiça barra shopping da Santa Casa de Campinas e aponta dívida de R$ 166 milhões

Gestão da Santa Casa de Campinas rebate oposição e defende novo hospital

by Redação
15 de maio de 2026
0

A chapa Continuamos Unidos pela Irmandade, do provedor Dr. Murillo Almeida, contestou a oposição e negou irregularidades na Irmandade de...

Em entrevista à Jovem Pan News Campinas, Derrite destaca combate ao PCC, redução da maioridade penal e pré-candidatura ao Senado

Em entrevista à Jovem Pan News Campinas, Derrite destaca combate ao PCC, redução da maioridade penal e pré-candidatura ao Senado

by Portal JP News Campinas
13 de maio de 2026
0

Guilherme Pierangeli · Guilherme Derrite - Entrevista Jovem Pan News Campinas - 13/05/26 O deputado federal Guilherme Derrite, ex-secretário da...

Deic queima 1 tonelada de drogas em Campinas e mira prejuízo ao tráfico

Deic queima 1 tonelada de drogas em Campinas e mira prejuízo ao tráfico

by Redação
13 de maio de 2026
0

A Polícia Civil realizou nesta segunda-feira (12) a segunda incineração de drogas de 2026 promovida pela 2ª DISE (Delegacia de...

Campinas aprova novas regras para ambulantes e amplia restrições ao fumo

Campinas aprova novas regras para ambulantes e amplia restrições ao fumo

by Portal JP News Campinas
7 de maio de 2026
0

Os vereadores de Campinas aprovaram mudanças nas regras para o comércio ambulante e ampliaram as restrições ao uso de cigarros...

Next Post
Caiado fala em devolver País para os ‘brasileiros de bem’

Caiado fala em devolver País para os ‘brasileiros de bem’

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jovem Pan News Campinas 100.3

Jovem Pan News Campinas 100.3 © 2026 - Todos os direitos reservados

Siga-nos

No Result
View All Result
  • Home
  • Cidades
    • Campinas
    • Indaiatuba
    • Americana
    • Hortolândia
    • Limeira
    • Sumaré
    • Piracicaba
  • Política
  • Economia
  • Esporte
  • Saúde
  • Educação
  • Programação
  • Contato