A espaçonave Orion pousou em segurança na costa da Califórnia por volta das 21h desta sexta-feira (10)

Após uma viagem de dez dias ao redor da Lua, os quatro astronautas da missão Artemis II retornaram à Terra nesta sexta-feira (10). Eles iniciaram a reentrada na atmosfera terrestre por volta das 20h56 e amerissaram às 21h07, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos. No momento em que entraram na interface da Terra, eles perderam o contato com a Nasa, entretanto, a comunicação voltou às 21h02.
A velocidade para entrada na Terra foi de aproximadamente 40.000 km/h. Astronautas agora aguardam na água para serem içados de helicóptero, procedimento que deve acontecer dentro do prazo de uma hora.
A chegada dos tripulantes Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen de volta à Terra era considerada uma das etapas mais críticas de toda a jornada. Além de precisão absoluta, a espaçonave Orion e os tripulantes tiveram que enfrentar condições extremas.
O escudo térmico da Orion precisou resistir a temperaturas de até 2.700 °C geradas pelo atrito com a atmosfera. “Passar pela atmosfera como uma bola de fogo” será uma experiência marcante, confessou o piloto Victor Glover no início da semana, admitindo que estava apreensivo desde que foi selecionado para a tripulação, em 2023.
Durante 13 minutos — seis deles sem comunicação com a Terra —, a cápsula atingiu 38 mil km/h antes de ser desacelerada por uma sequência de paraquedas e pousar no oceano. As famílias dos astronautas puderam acompanhar a operação em tempo real no centro de controle da NASA em Houston.
Início da jornada
A Missão Artemis II lançou no dia 1º de abril um grupo de astronautas à órbita da Lua. A viagem marcou o retorno ao satélite natural da Terra após 53 anos, quando foi empreendida a Missão Apollo 17, em dezembro de 1972.
A decolagem aconteceu a partir da Flórida, nos Estados Unidos, por volta das 18h35 no horário local (19h35 em Brasília), momento no qual a nave foi lançada a toda velocidade em direção à Lua, sem pousar, em uma missão semelhante à realizada pela Apolo 8, em 1968. A equipe permaneceu na missão por 10 dias.
Este foi o primeiro voo tripulado do novo foguete lunar da Nasa, denominado SLS, projetado para permitir que os Estados Unidos retornem de forma recorrente ao satélite natural nos próximos anos.
Missão chegou na parte de trás da Lua
Na última segunda-feira (6) os quatro astronautas puderam passar pela parte de trás da Lua e ficaram sem conexão com a Terra por 40 minutos. A queda de comunicação já estava prevista. “Nos veremos do outro lado”, disse o astronauta Victor Glover, minutos antes de a comunicação ser perdida. A queda de comunicação aconteceu por volta das 19h40 e retornou às 20h20 (horário de Brasília). O contato foi restabelecido por volta das 20h27.
“Sempre escolheremos a Terra, sempre escolheremos uns aos outros”, disse a astronauta Christina Koch, em suas primeiras declarações após a interrupção de sinal prevista durante a passagem da nave espacial pelo lado oculto da Lua. “Ao ligar os motores rumo à Lua, eu disse que não estávamos deixando a Terra, e isso é verdade”, declarou.
Com a passagem por trás do satélite, os tripulantes completaram a volta ao redor da Lua. A missão tinha o objetivo de documentar características da Lua que antes eram conhecidas apenas por fotografias tiradas por robôs. Sobrevoo que durou cerca de seis horas.
A missão também determinou o marco, na segunda-feira, dos primeiros astronautas a voarem mais longe da Terra. A equipe bateu o recorde anterior de 400.171 km, estabelecido pela missão Apollo 13 na década de 1970. Espera-se que, durante o dia de hoje, esta missão supere em mais de 6.600 km a marca anterior, alcançando 406.778 km de distância.
Objetivo da Artemis II
Os objetivos da Artemis II incluiam verificar se tanto o foguete lunar SLS quanto a espaçonave espacial Orion estariam em perfeito estado de funcionamento, na esperança de abrir caminho para um retorno e um pouso na Lua em 2028.
Tal prazo desperta ceticismo entre os especialistas, em parte porque depende dos avanços tecnológicos do setor privado. Os astronautas precisarão de um segundo veículo para descer até a superfície lunar, um módulo de pouso que ainda está em desenvolvimento por empresas espaciais rivais, pertencentes a Elon Musk e Jeff Bezos.
Enquanto isso, a missão de dezenas de bilhões de dólares busca reacender o entusiasmo dos americanos pela exploração espacial. Como resumiu o comandante Reid Wiseman esta semana, a tripulação esperava “permitir, mesmo que por um instante, que o mundo fizesse uma pausa”.
*Com informações da AFP
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