
Caminhamos para entrar na terceira semana de guerra com o petróleo cotado a US$ 100, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Os efeitos econômicos da alta da commodity já começam a ser sentidos no Brasil.
Primeiro, há uma grande procura por diesel a fim de formar estoques, o que levou a Petrobras a criar cotas de vendas para os distribuidores. Além disso, já ocorriam aumentos de preços preventivos no diesel na expectativa de que o combustível aumentasse na refinaria, como de fato ocorreu.
Não à toa, o governo zerou o PIS/Cofins sobre o óleo diesel. Como a medida trará uma renúncia fiscal de R$ 20 bilhões, o Tesouro resolveu taxar as exportações de petróleo para compensar a perda arrecadatória.
Há alguns pontos a serem considerados. Não é certo que o imposto sobre exportações vá compensar a medida. Além do que, taxar as exportações nunca é uma boa medida, uma vez que o produto perde competitividade internacional (o preço fica maior) e desestimula investimentos pela maior tributação e interferência governamental, tornando-se um problema a médio e longo prazo.
Nessa situação, geralmente os governos não entendem que, se o preço está alto, é porque o bem está escasso; muitas vezes, interferir nas relações de oferta e demanda não é a melhor solução, trazendo problemas adicionais para a economia. A redução de preços não fará com que aumente a oferta de petróleo, mas estimulará ainda mais o consumo de um bem que está escasso.
É claro que reduções fiscais são sempre bem-vindas, mas é necessário que haja condições para isso. Daí a importância de estar com as contas públicas em dia para usar esse mecanismo em momentos como este, ou até de maneira mais permanente.
De qualquer modo, um repique inflacionário causado pela alta do petróleo e do gás natural é certo. Em quase todos os processos produtivos, da agricultura à indústria, há a utilização dessas commodities.
É claro que inflação para a população nunca é boa. E nem para o governo, principalmente em ano eleitoral.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.






