Análise completa dos indicados à 98ª edição, com destaque para o recordista ‘Pecadores’ e o brasileiro ‘O Agente Secreto’

A corrida para a 98ª edição do Oscar atingiu seu ponto crítico com o anúncio oficial dos indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em um ano marcado por retornos históricos e quebras de recordes, as previsões para quem vai levar a estatueta dourada no dia 15 de março de 2026 estão mais acirradas do que nunca.
Se por um lado o longa Pecadores (Sinners), de Ryan Coogler, já fez história ao conquistar 16 indicações, superando clássicos como Titanic e La La Land, por outro, o cinema brasileiro celebra um momento de glória com as quatro nomeações de O Agente Secreto, colocando o país novamente nos holofotes globais.
O cenário da temporada 2026
A temporada de premiações de 2025/2026 desenhou um cenário polarizado, mas de altíssima qualidade técnica. Críticos e casas de apostas apontam para um duelo de titãs entre a narrativa visceral de Ryan Coogler e a grandiosidade autoral de Paul Thomas Anderson.
Diferente de anos anteriores, onde um único filme varria todas as premiações prévias (como o Globo de Ouro e o Critics Choice), 2026 apresenta uma divisão interessante: enquanto Pecadores domina as categorias técnicas e de atuação masculina, filmes como Hamnet e Valor Sentimental correm por fora com forte apelo emocional e roteiros adaptados impecáveis.
Favoritos a melhor filme
A categoria principal traz uma mistura de blockbusters autorais e dramas intimistas. Confira os principais concorrentes e suas chances reais de vitória:
- Pecadores (Sinners): O favorito absoluto. Com Michael B. Jordan no papel principal, o filme de terror gótico ambientado no sul dos EUA não apenas quebrou o recorde de indicações, mas conquistou a crítica pela direção de arte e som. A vitória parece iminente, a menos que ocorra uma “fadiga” dos votantes.
- Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another): O novo épico de Paul Thomas Anderson é o concorrente mais perigoso. Com um elenco estelar liderado por Leonardo DiCaprio, é o tipo de cinema clássico que a Academia adora premiar.
- Hamnet: Dirigido por Chloé Zhao, esta adaptação do livro de Maggie O’Farrell corre por fora como a escolha “prestígio”, focada na vida familiar de Shakespeare.
- Frankenstein: A visão de Guillermo del Toro sobre o clássico monstro trouxe o diretor de volta à conversa, especialmente pelo design de produção, embora suas chances de levar o prêmio principal sejam menores.
Brasil no Oscar: O Agente Secreto
Para o público brasileiro, a grande manchete é a presença de O Agente Secreto. O suspense político dirigido por Kleber Mendonça Filho conquistou quatro indicações, um feito raro para uma produção nacional.
O filme concorre nas categorias de melhor filme internacional, onde é considerado um dos favoritos, melhor roteiro original, melhor montagem e, surpreendentemente, melhor ator para Wagner Moura. A campanha internacional do filme foi massiva, e a presença de Moura entre os cinco finalistas já é considerada uma vitória histórica, colocando-o ao lado de lendas como Fernanda Montenegro na história do cinema brasileiro.
A disputa nas categorias de atuação
As previsões para os prêmios de atuação indicam disputas acirradas, especialmente entre os atores principais.
Melhor ator
A batalha está concentrada entre Michael B. Jordan (Pecadores) e Wagner Moura (O Agente Secreto), com Timothée Chalamet correndo por fora por sua transformação física em Marty Supreme. Jordan é o favorito das casas de apostas devido à exigência física e emocional dupla de seu papel, mas a narrativa de “reconhecimento tardio” pode favorecer veteranos.
Melhor atriz
A categoria feminina está mais aberta. Jessie Buckley (Hamnet) e Elle Fanning (Valor Sentimental) dividiram os prêmios da crítica regional. Fanning, em especial, tem ganhado tração nas últimas semanas por sua performance em um drama existencialista norueguês que encantou Hollywood.
Fatores que influenciam as apostas
Para quem acompanha as odds e deseja fazer previsões assertivas, é crucial observar os sindicatos. Historicamente, o SAG Awards (Sindicato dos Atores) e o PGA (Sindicato dos Produtores) são os termômetros mais precisos.
- Narrativa de superação: A Academia ama histórias de bastidores. O fato de Ryan Coogler ter entregue um filme de gênero (terror) com tantas indicações cria uma narrativa poderosa de quebra de preconceitos.
- Bilheteria vs. Arte: F1, estrelado por Brad Pitt, surpreendeu ao ser indicado a Melhor Filme, mostrando que a Academia ainda valoriza sucessos comerciais técnicos, embora raramente vençam o prêmio principal.
- O fator Conan: Com Conan O’Brien apresentando, espera-se uma cerimônia mais leve, o que pode favorecer filmes com tons mais cômicos ou aventurosos em categorias de roteiro, como Marty Supreme.
Onde assistir aos indicados
A maioria dos filmes indicados chegou aos cinemas brasileiros entre o final de 2025 e janeiro de 2026.
- Nos Cinemas: Pecadores, Uma Batalha Após a Outra e O Agente Secreto ainda estão em cartaz em grande circuito, impulsionados pelas nomeações.
- Streaming: Produções como Frankenstein (Netflix) e F1 (Apple TV+) devem chegar às plataformas logo após a janela exclusiva de cinema, previstos para meados de fevereiro.
A cerimônia do Oscar 2026 promete ser uma das mais memoráveis da década, seja pela potencial consagração de um filme de terror, seja pela chance real do Brasil trazer sua primeira estatueta dourada em uma categoria principal. As apostas estão abertas e, até o dia 15 de março, a campanha de cada estúdio será decisiva.






