Bolsa e dólar, mesmo com alguma resiliência, devolveram parte dos resultados obtidos anteriormente

O mercado financeiro desde o final de janeiro tem mostrado forte volatilidade, refletindo muito as atuais incertezas de cenário, especialmente relacionadas à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irá.
Esse contexto interrompeu uma fase muito favorável, de recordes sucessivos da Bolsa e queda acentuada do dólar, bem superior às expectativas dos analistas, alavancada, principalmente, pelo aumento do fluxo de investimentos externos, decorrente, em boa parte, da insegurança quanto à economia dos Estados Unidos. Insegurança, até então, causada, especialmente, pelas políticas de Trump no campo econômico. Mas a guerra freou esse movimento. Bolsa e dólar, mesmo com alguma resiliência, devolveram parte dos resultados obtidos anteriormente.
Os investidores que, antes buscavam apenas diversificar, assegurar ganhos maiores, aproveitar as oportunidades oferecidas por países emergentes, com destaque para o Brasil, agora buscam, também, maior segurança. Não que não tivessem essa intenção. Tanto que o ouro também vinha em disparada. Mas a guerra mudou o foco. Até o avanço do ouro deu uma freada.
O dólar ainda parece ser um porto mais seguro, mesmo que com ressalvas. Entre idas e vindas das expectativas, aumentou muito a volatilidade dos ativos. Uma das principais preocupações é quanto ao risco de uma crise do petróleo. Iniciativas, como a liberação de reservas estratégicas, de mais de 30 países, tiveram impacto mais momentâneo.
Há muita insegurança quanto aos rumos do conflito e os efetivos impactos que possa ter, não apenas geopolíticos, mas sobre inflação, juros, o andamento das economias. O que vale também o Brasil. Está mais difícil apostar qual será a decisão do Copom, em relação aos juros, na próxima semana. Antes a aposta dominante era de um corte de 0,5 ponto na Selic, hoje em 15% a.a.
Mas, para além dos movimentos do dia a dia, é preciso considerar o que outros sinais estão indicando. Um desses sinais são os juros reais elevados dos títulos públicos, independentemente da expectativa de corte da Selic. A margem real da NTN-B, que rende IPCA mais juros, por exemplo, está na faixa dos 7,5%, em prazos mais longos. Isso há um bom tempo. São juros reais que refletem muito da preocupação com o fiscal, com o que será feito, ou não, a partir de 2027 para evitar uma crise, de fato, a tal dominância fiscal. O executivo está cada vez com menos margem para despesas não obrigatórias.
Independentemente de gastos relacionados às políticas de governo, as despesas obrigatórias, como da previdência, vinculações, como de saúde e educação, sem esquecer de outras, como as emendas parlamentares, estão impedindo a geração de superávits e fazendo com que a dívida pública, também impulsionada pelos juros, siga avançando. Os juros reais elevados são uma proteção, um prêmio de risco, que vai além das incertezas por fatos mais específicos e recentes, como os possíveis efeitos da guerra.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.







