É claro que o consumidor norte-americano vai ficar insatisfeito, ainda mais quando foi promessa de campanha de Trump não se meter em guerras no Oriente Médio

Provavelmente quando Trump pensou em bombardear o Irã, acreditou que a queda do regime seria muito mais fácil do que imaginou. Aproveitando-se de uma revolta civil contra a ditadura teocrática de Teerã, Israel e EUA aproveitaram a situação para eliminar as lideranças do regime na esperança de que outros grupos assumissem o poder, o que não aconteceu.
Por mais que haja um forte descontentamento de boa parte da população iraniana com o regime dos aiatolás, a ruptura de poder não é trivial. Primeiro, porque não há lideranças organizadas capazes de fazer isso. Por enquanto, o poder militar encontrasse nas mãos dos aiatolás. Segundo, porque as ações externas, principalmente vindas do Ocidente, podem gerar um efeito contrário do desejado: fomentar o nacionalismo e o apoio ao atual regime.
Como a guerra tem durado mais tempo do que o previsto, a situação fica mais delicada para Trump. Isso porque, com o fechamento do estreito de Ormuz, o preço do petróleo e do gás natural dispararam.
Como essas commodities são insumos para diversos segmentos econômicos (transporte, agricultura, plásticos, químicos, indústria), sua elevação causa inflação no mundo inteiro. A gasolina chega mais alta na bomba e o alimento mais caro no prato.
Nesse cenário, é claro que o consumidor norte-americano vai ficar insatisfeito, ainda mais quando foi promessa de campanha de Trump não se meter em guerras no Oriente Médio. Em novembro deste ano, tem as midterms e a guerra poderá custar caro para ele. Se perder a maioria da Câmara e do Senado, Trump passará dois anos sem governabilidade e lutando para preservar o seu mandato.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.







