Investigação da Polícia Federal apontou o empresário como ‘sócio oculto’ do Banco Master

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master apontou o empresário Nelson Tanure como sócio oculto da instituição financeira. O seu nome voltou a ficar em alta depois de a corporação encontrar uma troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, na qual o investidor agradecia por ter ganhado um relógio de luxo importado, estimado em até R$ 1 milhão.
“Almoçando com amigos, com a joia no braço que você me deu. Thanks (Obrigado, em inglês)”, escreveu Tanure ao dono do Master. O relogio recebido é um Duomètre à Quantième Lunaire, da Jaeger-LeCoultre.
Em 14 de janeiro, Tanure foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero. A PF abordou o empresário no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando ele se preparava para embarcar em voo com destino a Curitiba, no Paraná. Na ocasião, a corporação apreendeu o celular do investidor.
Logo depois, Tanure se manifestou por meio de nota. O empresário disse que foi “surpreendido” com o “pedido de busca pessoal” emitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também negou ter sido “controlador do extinto Banco Master” e sócio, “ainda que minoritário, direta ou indiretamente”.
Tanure também comunicou que não tinha ligações societárias indiretas “por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes”. “Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior”, afirmou o empresário.
Quem é Nelson Tanure
O empresário é conhecido por investir e apostar em grandes projetos de reestruturação de empresas em crise. Nelson Tanure possui negócios nos setores de petróleo e gás, energia, saúde, telecomunicações, imobiliário e financeiro. Ele possui participação nas companhias, Light, Alliança Saúde, Gafisa, Prio (ex-ex-PetroRio), Tim Brasil, Sequip, Ligga Telecom e Docas Investimentos.
Em seu perfil no LinkedIn, Tanure diz se considerar um “comerciante”. Ele ainda se apresenta como “alguém para quem a conquista é tudo, a posse é nada”.
Nelson Tanure nasceu em 1951, em Salvador, na Bahia. Em 1974, concluiu o curso de administração de empresas na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Começou a sua carreira em uma empresa imobiliária do pai. Na década de 1980, passou a investir em companhias em crise.
Tanure também trabalhou na reestruturação do Grupo Emaq. Nos anos 2000, o empresário ainda assumiu controle do Jornal do Brasil e, na sequência, da Gazeta Mercantil.
Em 2004, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu Nelson Tanure na Ordem do Mérito Militar, no grau de Cavaleiro Especial.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. O dono do Master foi detido novamente na quarta-feira (4).
Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master a passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o TCU, bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.







