O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) desistiu, nesta segunda-feira (28), da candidatura ao Senado por São Paulo. A decisão foi anunciada na reta final da campanha para as eleições de 2026. O anúncio foi feito ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e dos candidatos à Casa Alta Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
“Fizemos aqui um grande arranjo, um arranjo importante para as candidaturas do nosso campo”, disse Tarcísio. “O Ricardo Salles tinha toda legitimidade para continuar sua caminhada, mas deu um passo ao lado por um objetivo maior, que é conquistar duas vagas no Senado”, completou o governador.
Ao explicar a decisão, Salles afirmou que divergências políticas e pessoais deveriam ser deixadas de lado diante do cenário nacional. “O momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes têm que ser deixadas de lado, justamente porque o risco de uma catástrofe, de uma reeleição do presidente Lula é muito grande. E o país não merece isso”, declarou.
“Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, acrescentou o deputado. Salles também afirmou que São Paulo vive uma situação diferente por causa da liderança de Tarcísio. “Aqui em São Paulo, graças à liderança do governador Tarcísio, nós estamos relativamente confortáveis com uma grande possibilidade, creio eu, de vencermos no primeiro turno.”
Questionado sobre a disputa presidencial, Salles disse que seguirá apoiando Romeu Zema enquanto o governador de Minas Gerais for o candidato do Novo. “Enquanto o Zema for o candidato do meu partido, eu tenho a obrigação moral de apoiá-lo”, afirmou.
O deputado, no entanto, disse que apoiaria uma eventual decisão de Zema de aderir a uma união já no primeiro turno. “Se o Zema entender, e acho que há elementos para isso, de que seja possível uma união já no primeiro turno, essa decisão dele terá meu apoio”, declarou. Segundo Salles, caso Zema mantenha a candidatura, ele continuará apoiando o correligionário e, em um eventual segundo turno, estará “em torno do Flávio”.
Salles havia oficializado a candidatura ao Senado pelo Novo depois de o partido fechar apoio à reeleição do governador em São Paulo. Antes disso, o deputado chegou a avaliar uma mudança para o PP e uma tentativa de reeleição à Câmara, mas descartou a possibilidade e decidiu permanecer no Novo para disputar uma das duas vagas ao Senado.
Ao longo da campanha, Salles disputou espaço principalmente com Derrite e André do Prado dentro do eleitorado de direita em São Paulo. Em sabatina à Jovem Pan, o ex-ministro do Meio Ambiente criticou o comando do PL e afirmou que André do Prado não representava a direita.
Na pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (24), Salles aparecia com 4% das intenções de voto. Marina Silva (Rede) tinha 15%, Simone Tebet (PSB), 14%, enquanto André do Prado e Guilherme Derrite registravam 12% cada. O levantamento ouviu 1.610 pessoas entre os dias 22 e 24 de setembro e tinha margem de erro de dois pontos percentuais.
Após Salles desistir, Tarcísio defende “gesto” de Zema e Caiado
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou a desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado na manhã desta segunda-feira (28) para defender a união da direita em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. O gestor afirmou que, diante da possibilidade de “afastar o PT já no primeiro turno”, seria desejável que os demais candidatos fizessem esse “gesto”.
Ao discursar, o chefe do Executivo paulista disse que respeita as candidaturas de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), mas que “a matemática se impõe nesse momento”, citando a possibilidade de derrotar o presidente Lula (PT) já no primeiro turno.
– É uma eleição que pode ser definida no detalhe. Obviamente, a gente está dando um exemplo. Exemplo que as diferenças podem ser deixadas de lado. Existe um projeto maior, existe uma responsabilidade nossa maior com o país, com o futuro do Brasil. Seria muito bom que a gente pudesse unir toda a direita nessa reta final. A nossa parte nós estamos fazendo – disse.
Procurada pelo jornal O Estado de São Paulo, a assessoria de Zema disse que o candidato do Novo não vai desistir. A campanha de Caiado não se manifestou. Reservadamente, aliados do governador avaliam que o movimento em São Paulo que culminou na saída de Salles da disputa pode ampliar a pressão para que Romeu Zema, do mesmo partido do deputado federal, abra mão da candidatura presidencial.
O ex-governador de Minas Gerais não decolou nas pesquisas e tem assistido a aliados do próprio partido declararem voto útil em Flávio Bolsonaro nos últimos dias – caso da candidata a deputada federal Marina Helena, um dos principais quadros do Novo em São Paulo.







