A Polícia Federal apresenta nesta quinta-feira (6), às 14h, o relatório final do inquérito que investigou a queda do avião da Voepass, acidente ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, que matou 62 pessoas. A coletiva será realizada na Superintendência Regional da PF em São Paulo e marcará a conclusão da investigação criminal conduzida ao longo de quase dois anos.
O documento reúne as conclusões do inquérito policial e do laudo pericial elaborado pela corporação, com mais de 200 páginas. O conteúdo do relatório não foi divulgado previamente e a Polícia Federal também não confirmou se haverá indiciamentos de pessoas físicas ou jurídicas. Após a apresentação, o material será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF).
Caberá ao MPF analisar as conclusões da investigação e decidir os próximos passos. O órgão poderá oferecer denúncia à Justiça Federal, solicitar novas diligências para complementar o inquérito ou pedir o arquivamento do caso. Eventuais indiciamentos, caso existam, não representam condenação automática nem significam abertura imediata de ação penal.
A conclusão da investigação ocorre cerca de duas semanas após a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela apuração técnica do acidente. Diferentemente da Polícia Federal, o Cenipa não atribui responsabilidades criminais, civis ou administrativas, tendo como objetivo identificar fatores contribuintes e prevenir novas ocorrências.
Segundo o relatório do Cenipa, o ATR 72-500 não deveria ter decolado de Cascavel (PR) nas condições meteorológicas registradas naquele dia, devido a uma falha no limpador de para-brisa do comandante. A investigação técnica apontou ainda que fatores operacionais, organizacionais, de manutenção e fiscalização contribuíram para o acidente, que ocorreu durante o voo com destino a Guarulhos (SP) e se tornou o maior desastre da aviação brasileira desde 2007.
A coletiva contará com a participação do superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, Rodrigo Sanfurgo, do delegado André Ribeiro, chefe da Delegacia da PF em Campinas, e do diretor do Instituto Nacional de Criminalística, Carlos Eduardo Palhares. O acidente completa dois anos no próximo domingo (9), enquanto seguem em andamento ações cíveis e administrativas movidas por familiares das vítimas.







