Cláudia Rodrigues, irmã da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, afirmou em entrevista ao Pan News Campinas, da Jovem Pan News Campinas, que a progressão para o regime semiaberto não trouxe mudanças significativas à rotina da família. Condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, Débora permanece em prisão domiciliar, com medidas cautelares que, segundo a irmã, limitam sua circulação e o convívio com os filhos.
“Na verdade, o semiaberto não contemplou a Débora em absolutamente nada”, declarou Cláudia. Segundo ela, a família esperava que a mudança permitisse à cabeleireira retomar parte da rotina, como levar os filhos à escola, trabalhar no próprio salão e realizar atividades cotidianas. A irmã afirma, porém, que Débora continua usando tornozeleira eletrônica e não pode realizar livremente essas atividades.
Cláudia também relatou que a possibilidade de trabalhar depende da aprovação de uma empresa para recebê-la, com registro formal e documentação submetida à avaliação do Supremo Tribunal Federal (STF). “Ela não pode abrir o salão dela. Ela tem que ser registrada em carteira”, afirmou. De acordo com a irmã, Débora ainda não começou a trabalhar nessas condições e não quer, neste momento, ficar longe dos filhos durante todo o dia.
Impactos na família e na prisão
Durante a entrevista, Cláudia contou que os filhos de Débora tinham 5 e 8 anos quando a mãe foi presa. Segundo ela, as crianças ficaram quase dois meses sem vê-la e só voltaram a conviver com a mãe quando Débora retornou para casa, mais de dois anos depois.
“Essas crianças ficaram quase dois meses sem ver a mãe”, afirmou Cláudia, que disse ter assumido os cuidados dos sobrinhos durante o período. Ela também relatou dificuldades enfrentadas pela irmã no sistema prisional, incluindo falta de cobertores, roupas e produtos de higiene, além de ameaças feitas por outras detentas durante a passagem por unidades prisionais paulistas.
Segundo Cláudia, a irmã tem buscado apoio psicológico e aconselhamento espiritual para lidar com os efeitos da prisão. “Ela tem feito terapia, ela tem feito aconselhamento espiritual com pastores”, disse. A familiar afirmou que a revolta diante da situação é natural, mas que Débora tenta superar as dificuldades dia após dia.
Cláudia também confirmou que Débora se arrepende de ter escrito com batom em uma estátua durante os atos de 8 de janeiro. Ela, no entanto, afirmou que a irmã não se arrepende de ter ido a Brasília nem de ter participado da manifestação, que considera legítima.
Esperança de mudanças e anistia
Na avaliação de Cláudia, o cenário político e as discussões sobre os casos relacionados ao 8 de janeiro alimentam a expectativa de mudanças. Ela afirmou esperar que o Congresso Nacional avance em uma proposta de anistia para os condenados pelos atos.
“Minha esperança realmente é que Flávio Bolsonaro venha ganhar as eleições”, declarou Cláudia, ao relacionar sua expectativa à possibilidade de que um eventual novo governo apoie a discussão sobre anistia. A irmã de Débora também defendeu que o Congresso e o Senado pautem o tema.
Cláudia disse que transformou a defesa de Débora e de outros presos do 8 de janeiro em uma missão pessoal. Segundo ela, pessoas que cumprem pena pelos atos continuam procurando sua ajuda. A irmã afirmou que pretende manter a atuação até que, em sua avaliação, haja uma resposta de Justiça para os envolvidos.
Venda de camisetas para ajudar a família
A entrevista também abordou uma iniciativa para arrecadar recursos para a família de Débora. Segundo Cláudia, uma empresa chamada Uniformes Patriotas procurou a família e passou a vender camisetas personalizadas com referências ao caso. De acordo com ela, 50% do lucro das vendas será destinado à família, incluindo os filhos e o marido da cabeleireira.
As camisetas, com a frase “Somos todos Débora”, podem ser encontradas por meio de um link disponibilizado no perfil de Cláudia no Instagram, identificado como Cláudia do Batom Oficial FC. A irmã afirmou que as peças já estavam sendo comercializadas e entregues.
A entrevista ao Pan News Campinas foi realizada por Marco Massiarelli, Marcos Tasca, J. Tannus e Roberta Simões. Durante a conversa, Cláudia agradeceu o espaço e as mensagens de apoio recebidas, e afirmou que continuará dando visibilidade ao caso da irmã e de outras pessoas presas pelos atos de 8 de janeiro. 







