A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de não reconhecer a vitória de Lula (PT) foi tomada após um impasse entre dois grupos de aliados nos bastidores da campanha. Prevaleceu a ala que defendia um discurso mais duro, mesmo contrariando parte do núcleo político do senador. Pelo menos dez minutos antes da confirmação da reeleição de Lula, Flávio deixou a sala onde acompanhava a apuração com aliados e se reuniu de forma reservada para definir o tom do pronunciamento. De acordo com relatos, a principal preocupação era evitar a repetição do silêncio de Jair Bolsonaro após a derrota para Lula em 2022. O impasse, no entanto, era sobre como reagir ao resultado.
De um lado, aliados como a senadora Tereza Cristina e Pablo Marçal defendiam cautela e avaliavam que Flávio deveria aguardar a reunião de documentos sobre a prorrogação do horário de votação determinada pelo STF antes de questionar a eleição.
Do outro, um grupo que incluía o deputado Nikolas Ferreira sustentava que o senador não deveria reconhecer a derrota naquele momento.
A segunda ala venceu. Em pronunciamento feito em dois púlpitos improvisados pela assessoria, Flávio adotou a linha mais dura e afirmou: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”.
Ao ser questionado sobre a estratégia, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho, sorriu e resumiu: “A decisão do líder nós vamos seguir”.







