O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que pretende manter sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido Novo e levar o projeto até o fim. A declaração foi feita em entrevista concedida a Guilherme Pierangeli e Marcos Tasca na Jovem Pan News Campinas nesta sexta-feira (17), um dia após o lançamento das diretrizes de seu plano de governo em evento realizado em São Paulo.
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Durante a entrevista, Zema reforçou o posicionamento de se apresentar como um nome fora da política tradicional e destacou sua trajetória como gestor. “Eu sou um cara de fora da política que botou Minas Gerais de pé e eu vou levar a minha pré-candidatura até o final, sim. Como você deve ter visto ontem, eu tenho propostas diferentes”, afirmou.
Ele também criticou o que classificou como modelo político tradicional, ao comentar o cenário nacional. “O Brasil hoje enfrenta talvez os problemas mais sérios da sua história e alguém de fora da política com toda certeza tem uma visão diferente. Quem está na política há 10, 20, 30 anos já tem um modelo que foi contaminado por toda essa convivência”, disse.
Disputa política e posicionamento
Ao abordar o cenário eleitoral, Zema citou a presença de outros nomes da direita e defendeu a coexistência de candidaturas no mesmo campo político. “Eu respeito o Flávio. Estive com o (Jair) Bolsonaro no ano passado e ele mesmo disse que é favorável a mais de um candidato, porque nós vamos sair fortalecidos. Isso é muito bom para a direita”, afirmou.
O ex-governador disse ainda que pretende apresentar propostas que, segundo ele, divergem do que vem sendo praticado por parte da classe política. “Eu tenho propostas que são totalmente contrárias aos interesses da maioria dos políticos. Eu não sou da política, sou quase um voluntário que fez a diferença em Minas Gerais”, declarou.
Evento em São Paulo marcou lançamento de diretrizes
No evento realizado na capital paulista, Zema apresentou os principais pontos que devem compor seu plano de governo. Entre os eixos estão redução do tamanho do Estado, ampliação de privatizações, mudanças institucionais e revisão de políticas públicas.
O pré-candidato também voltou a fazer críticas à gestão pública e ao uso de recursos. “O Brasil hoje é um país em que o governo vive no luxo e o povo vive no lixo. Nós temos um governo rico e uma população pobre, um governo que gasta muito com Brasília e pouco com o Brasil”, afirmou.
Segundo ele, a proposta é alterar a forma de gestão e aumentar o nível de controle sobre os gastos públicos. “Apesar de ter sido governador por sete anos, eu não levei um parente para trabalhar no Estado, abri mão de privilégios e apresentei todas as minhas despesas. Isso é o que precisa ser feito no Brasil”, disse.
Privatizações e redução do Estado
Um dos principais pontos defendidos por Zema é a ampliação das privatizações e parcerias com a iniciativa privada. Ele afirmou que pretende avançar nesse modelo em diferentes setores. “Eu gostaria de privatizar tudo. Nós já tivemos casos de escândalos envolvendo estatais e isso mostra que o Estado muitas vezes não consegue gerir bem esses ativos”, afirmou.
Ao citar a experiência em Minas Gerais, ele destacou a venda de subsidiárias e a preparação de empresas para concessão. “Em Minas, privatizamos praticamente tudo que era possível onde o Estado não tinha controle majoritário. Isso faz o Estado andar adiante e ter capacidade de investir”, disse.
Zema também argumentou que a limitação de recursos públicos exige maior participação do setor privado. “O Brasil enfrenta dificuldades financeiras e isso impede investimentos. Nós precisamos de estradas melhores, mais energia e melhor saneamento. Para isso, precisamos de PPPs e privatizações”, afirmou.
Segurança pública e mudanças na legislação
Na área de segurança pública, o ex-governador defendeu medidas mais rígidas e mudanças na legislação penal.
“Crime de adulto vai ter pena de adulto. Um sujeito de 16 anos que comete um crime grave precisa ser responsabilizado como adulto”, afirmou.
Ele também criticou o sistema atual de audiências de custódia. “Cometeu o terceiro delito, não vai ter mais audiência de custódia para ficar soltando bandido. Hoje nós temos casos de pessoas que cometeram dezenas de crimes e continuam soltas”, disse.
Zema afirmou ainda que pretende equiparar facções criminosas a organizações terroristas. “Só de fazer essas mudanças e tratar facções como grupos terroristas, nós já vamos ter um avanço significativo. O que falta no Brasil é alguém com coragem para implementar isso”, declarou.
Prioridades e foco do governo
Ao tratar do papel do Estado, Zema afirmou que a atuação deve ser concentrada em áreas essenciais, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. “O governo não precisa se preocupar com estatal, ele já tem coisa demais para fazer na segurança pública, na saúde e na educação”, disse.
Ele também abordou a questão econômica e o impacto do endividamento das famílias. “Hoje, com os juros altos, as famílias estão cada vez mais endividadas. Todo mundo depende de financiamento para comprar bens básicos e isso está virando uma bola de neve”, afirmou.
Segundo Zema, a proposta é reduzir custos, reorganizar as contas públicas e criar um ambiente mais favorável ao crescimento econômico.
A pré-campanha segue com a apresentação das propostas em diferentes regiões do país, com a expectativa de ampliar a visibilidade nacional e consolidar o nome do ex-governador na disputa presidencial.







