O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz para a travessia de petroleiros e informou que pode romper o acordo de cessar-fogo após novos ataques de país contra o Líbano

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta quarta-feira (8) que o cessar-fogo concluído entre Washington e Teerã não marca “o fim da campanha contra o Irã” e que Israel permanece preparado para retomar os combates “a qualquer momento”.
“Deixe-me ser claro: ainda temos objetivos a alcançar e os alcançaremos, seja por meio de um acordo ou retomando os combates”, afirmou Netanyahu em um pronunciamento televisionado.
“Estamos preparados para retornar ao combate sempre que necessário. Seguimos com o dedo no gatilho. Este não é o fim da campanha, mas sim mais um passo no caminho para alcançar todos os nossos objetivos”, acrescentou.
O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz para a travessia de petroleiros e informou que pode romper o acordo de cessar-fogo após novos ataques de Israel contra o Líbano, informou nesta quarta a agência semioficial iraniana Fars. O novo bloqueio ocorre no dia em que navios haviam cruzado a rota com autorização do Irã, logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitar as condições de Teerã para a trégua.
Pela manhã, o fluxo marítimo havia sido liberado. Com a permissão de trânsito concedida pelo Irã, os navios de carga NJ Earth e Daytona Beach atravessaram o estreito. A região é uma rota pela qual passa 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural e que registrava uma queda de 95% na circulação de embarcações desde o início do conflito.
Ataque ao Líbano
Após os ataques no Líbano, uma fonte do governo declarou à agência Tasnim que o Irã considera retirar-se do acordo temporário. A fonte afirmou que a suspensão de ataques em todas as frentes, incluindo ações contra o Líbano, era parte do plano de cessar-fogo de duas semanas mediado e aceito pelos Estados Unidos. O Irã tratou as ações militares desta quarta-feira como uma violação do tratado.
Em decorrência das ações no Líbano, as Forças Armadas do Irã iniciaram a identificação de alvos para uma possível resposta. A fonte do governo informou à Tasnim que o país fará uso da força caso os Estados Unidos não contenham as ações de Israel no Oriente Médio.
“Se os EUA não conseguirem controlar seu cão raivoso na região, o Irã, excepcionalmente, os ajudará nessa questão! E isso será feito pela força”, afirmou a fonte.
Israel não inclui Líbano
Após atacar o sul do Líbano nesta quarta-feira, Israel declarou que o país não está incluído no cessar-fogo com o Irã, patrocinador do Hezbollah. Segundo a Agência Nacional de Informações (ANI, oficial), houve vários ataques contra cidades no sul do país.
Um desses ataques atingiu um prédio na região de Tiro, de acordo com um correspondente da AFP, pouco depois de uma nova ordem de evacuação do exército israelense se referir especificamente àquela área.
O porta-voz do exército em árabe, coronel Avichay Adraee, também ordenou que os moradores de uma vasta área entre a fronteira israelense e o rio Zahrani, cerca de 40 km mais ao norte, saíssem de suas casas, afirmando que “a batalha continua”. As forças israelenses ocupam atualmente uma parte do sul do Líbano.
*AFP







