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Transição para motos elétricas esbarra no alto custo e na baixa durabilidade dos pneus

by Redação
26 de março de 2026
in Destaques
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Transição para motos elétricas esbarra no alto custo e na baixa durabilidade dos pneus


A exigência de novos compostos de borracha para suportar o torque imediato altera a rotina das concessionárias e obriga fabricantes a repensarem o pós-venda no Brasil

SÃO PAULO, SP, BRASIL, 29-12-2010: Loja de motos na rua Barão de Limeira, em São Paulo (SP). Mercado de motos tem alta nas vendas neste final de ano. Com o aumento da passagem de ônibus, mais pessoas estão investindo em motos. (Foto: Isadora Brant/Folhapress, 5157, COTIDIANO)Folhapress
A urgência das fabricantes não é acidental.

As principais montadoras instaladas no Polo Industrial de Manaus começaram a reavaliar suas projeções financeiras e estratégias de pós-venda para os próximos anos. Com a chegada agressiva de novas plataformas eletrificadas e a adequação aos novos limites de emissões, as diretorias de engenharia se depararam com um gargalo físico que afeta diretamente o bolso do consumidor. É nesse cenário de inovação tecnológica que os motoristas descobrem na prática por que os pneus de moto desgastam muito mais rápido do que os pneus de carro. O problema, antes tratado como uma característica inerente às duas rodas, transformou-se em um desafio comercial crítico, exigindo que a cadeia de suprimentos desenvolva borrachas capazes de suportar o torque instantâneo sem destruir a rentabilidade da frota.

A urgência das fabricantes não é acidental. Diferente dos veículos de passeio, a dinâmica de uma motocicleta exige um perfil de pneu arredondado, projetado para inclinar nas curvas. Isso resulta em uma área de contato minúscula com o asfalto, equivalente ao tamanho de um cartão de crédito. Para que o veículo não derrape, a indústria utiliza compostos extremamente macios que garantem a aderência, mas que, por consequência, são consumidos pelo atrito em um ritmo acelerado.

O impacto das novas regulamentações e a física da tração

A entrada em vigor da quinta fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (Promot 5) obrigou as montadoras a instalarem catalisadores maiores e sistemas de injeção mais complexos nas motos a combustão, aumentando o peso final dos modelos. No segmento das elétricas, a situação é ainda mais severa. O peso dos conjuntos de baterias de lítio altera drasticamente o centro de gravidade do chassi, sobrecarregando o eixo traseiro de forma contínua.

Quando esse peso extra é combinado com o torque imediato dos motores elétricos, a força de tração atinge a roda de trás sem a progressividade mecânica de uma embreagem tradicional. O resultado é um desgaste prematuro da banda de rodagem, reduzindo a vida útil do equipamento em até 30% quando comparado aos modelos a combustão de cilindrada equivalente. Enquanto um pneu de carro popular roda tranquilamente por 50 mil quilômetros graças ao seu composto duro e contato plano com o solo, o pneu traseiro de uma motocicleta de médio porte frequentemente atinge a marca de segurança do TWI antes dos 10 mil quilômetros.

Fornecedores de autopeças mudam a rotina das concessionárias

O reflexo desse fenômeno já altera o ecossistema de distribuição no Brasil. As gigantes globais que fornecem para as linhas de montagem precisaram antecipar o lançamento de pneus de duplo composto — mais duros no centro para resistir às acelerações em linha reta e macios nas laterais para garantir segurança nas curvas. Essa tecnologia, antes restrita às motos de altíssimo desempenho, agora precisa ser adaptada em larga escala para o mercado urbano.

Nas concessionárias e redes de oficinas credenciadas, o fluxo de estoque sofreu um choque de realidade. A demanda por serviços de reposição e balanceamento disparou, criando filas de espera por medidas específicas de pneus que não acompanharam a velocidade das vendas de scooters e motos elétricas. Distribuidores de autopeças relatam que o volume de importação de borracha vulcanizada precisou ser revisado para o último trimestre, temendo um apagão de componentes nas prateleiras justamente no período de maior uso da frota.

Custo de reposição anula a economia com combustível

Nas planilhas financeiras das famílias e dos frotistas de aplicativos, a promessa de mobilidade limpa e barata começou a perder força. O argumento de vendas baseado na isenção de IPVA para veículos elétricos em diversos estados e no baixo custo da recarga na tomada esbarra diretamente no orçamento de manutenção.

O custo por quilômetro rodado sobe vertiginosamente quando o proprietário precisa desembolsar valores altos por um par de pneus a cada oito meses. Além disso, as seguradoras já começaram a ajustar seus algoritmos. O risco de acidentes por falta de aderência em motos com pneus desgastados eleva o valor do prêmio do seguro, impactando o custo total de propriedade e, consequentemente, esfriando o valor de revenda desses veículos no mercado de seminovos.

Como saber se o desgaste do pneu da moto está acelerado demais?

O motociclista deve monitorar o indicador TWI (Tread Wear Indicator), um pequeno ressalto de borracha dentro dos sulcos. Se a banda de rodagem atingir esse limite antes de 5 mil quilômetros em uso urbano normal, pode haver um problema de calibragem inadequada, desalinhamento do chassi ou excesso de frenagens e acelerações bruscas.

O torque do motor elétrico realmente destrói a borracha?

A entrega de força de um motor elétrico ocorre de forma instantânea, sem a perda gradual de energia que acontece nas caixas de câmbio mecânicas. Toda essa força é descarregada imediatamente no asfalto, exigindo um esforço de tração que arranca micropartículas do composto do pneu a cada saída de semáforo.

Qual é a diferença química entre o pneu do carro e o da motocicleta?

Os pneus automotivos utilizam compostos sintéticos com alta concentração de sílica e negro de fumo voltados para a durabilidade térmica e resistência ao peso. Já as motos dependem de polímeros focados exclusivamente na aderência elástica, sacrificando a resistência à abrasão para evitar que o veículo escorregue lateralmente.

O horizonte da mobilidade urbana brasileira para os próximos cinco anos dependerá da capacidade da engenharia de materiais de resolver essa equação de custo. A consolidação da transição energética exigirá investimentos pesados na infraestrutura de recarga pública, mas o sucesso nas ruas será ditado pela independência de insumos de alto desgaste. A expectativa da indústria é que o avanço das baterias de estado sólido reduza o peso geral dos veículos em até 40%, aliviando a pressão sobre as rodas e permitindo que as novas formulações de borracha finalmente entreguem segurança sem castigar o orçamento do trabalhador.





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