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Home Economia

1ª queda de juros em 3 anos: como isso afeta as famílias, empresas e mercado

by Redação
4 de abril de 2025
in Economia
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Com mais crédito, famílias conseguem alívio no orçamento - Imagem: Free Pik
Com mais crédito, famílias conseguem alívio no orçamento - Imagem: Free Pik
Com mais crédito, famílias conseguem alívio no orçamento – Imagem: Free Pik

Karina Faleiros Publicado em 03/08/2023, às 12:31

Atualmente, o Brasil segue com os maiores juros reais do mundo, e o Banco Central decidiu fazer o primeiro corte em três anos na taxa básica de juros, que passou de 13,75% para 13,25% ao ano.

Segundo informações do uol, a queda da Selic dá início a um novo ciclo na economia e já deve trazer alguns efeitos práticos positivos para população, empresas e mercado, segundo especialistas.

Pontos positivos para as famílias

Com crédito mais barato, os juros menores favorecem o consumo. Um corte na Selic, por mais que pequeno, irá refletir nas taxas cobradas por bancos e lojas, o que ajudará a impulsionar o consumo das famílias. Porém, esse efeito não é imediato, e os impactos mais relevantes serão sentidos pela população ao longo do tempo, segundo Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Rena.

O aumento de crédito traz alívio para as famílias. A Selic é chamada de taxa “básica” justamente porque serve como referência para outros juros do mercado, como os cobrados em empréstimos e financiamentos. Portanto, quem financiar um carro ou um imóvel, por exemplo, poderá ter um “suspiro”, diz a economista Bruna Centeno, sócia da Blue3 Investimentos.

“A queda de juros se reflete no barateamento do custo do crédito, o que favorece o consumo das famílias. Mas vale lembrar que a Selic ainda vai permanecer em patamar alto por alguns meses e, por isso, impactos mais relevantes não serão sentidos de forma imediata”, segundo Sérgio Goldenstein, da Warren Rena.

Investimento e geração de empregos

Quando os juros estão altos, o custo de operação de uma empresa também é maior, o que desestimula investimentos e contratações. Conforme a Selic cai, empresários ficam mais dispostos a tomar riscos para crescer e, consequentemente, gerar empregos, o que também ajuda na circulação de produtos e serviços, diz Centeno, da Blue3.

A geração de empregos impulsiona renda, o que melhora o orçamento das famílias. A renda média da população cresce conforme as empresas estão mais propensas a investir e contratar. Na prática, um ciclo consistente de redução nos juros significa que haverá mais dinheiro em circulação no mercado.

Oportunidade para o mercado

Ações e investimentos de risco, costuma ser o alvo do mercado. No longo prazo, a contínua redução dos juros torna menos atrativo os investimentos em renda fixa, como títulos do Tesouro, CDB (Certificado de Depósito Bancário) e LCI (Letra de Crédito Imobiliária), segundo André Kitahara, gestor da área macro da AZ Quest. Isso pode gerar uma “migração” para ativos mais arriscados, como ações e renda variável.

Os títulos atrelados à Selic rendem menos, mas seguem atrativos. Embora o corte na Selic reduza a rentabilidade de investimentos em renda fixa, esse processo ainda levará algum tempo. Os juros com dois dígitos, ainda possibilitam retornos atrativos.

O Copom avalia novos cortes nas próximas reuniões

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comemorou o corte de 0,50 ponto percentual e classificou a decisão como “um avanço no sentido do crescimento econômico sustentável para todos”.

Porém, os impactos mais relevantes levam tempo. O impacto da queda dos juros devem demorar meses para ser sentido, e economistas estimam que os primeiros efeitos práticos da queda da Selic serão sentidos daqui a seis meses, no mínimo.

Centeno, da Blue3, projeta tempo maior, de nove meses. No Brasil, como cerca de 40% do crédito é direcionado ou subsidiado (com juros menores do que a Selic), as mudanças feitas pelo BC não impactam diretamente em todo o mercado.

A queda da Selic precisa ser consistente para produzir efeitos duradouros, pois apenas um ciclo contínuo, ainda que gradual de cortes nos juros, pode impactar a economia, de acordo com os especialistas. A expectativa do mercado é de que a Selic termine 2023 em 12% e 2024, em 9,25%, segundo as projeções do último Boletim Focus. O Brasil ainda é líder no ranking global de juros reais (descontada a inflação).

A longo prazo, os juros menores diminuem gastos do governo com a dívida pública. De acordo com os indicadores do próprio Banco Central, cada 1% da Selic representa um acréscimo de quase R$ 36 milhões para a dívida pública do Brasil.

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