A revista britânica The Economist classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "incoerente no exterior" e "impopular em casa", em reportagem publicada no domingo (29/6).
O artigo gerou uma resposta do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que rebateu em nota na terça-feira (1/7) os argumentos da publicação britânica.
Logo no início, o texto da Economist menciona que, em 22 de junho, o Itamaraty condenou os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao território iraniano e declarou que a ofensiva representou uma "violação da soberania" do Irã e "do direito internacional".
A publicação diz que esse posicionamento do Brasil sobre a guerra entre Israel e Irã foi de encontro à postura de outras democracias ocidentais, que apoiaram o ataque dos Estados Unidos ou apenas expressaram preocupação.
Para a The Economist, "a simpatia do Brasil com o Irã" terá continuidade com a participação de ambos os países nos Brics, que se reunirão em uma cúpula de líderes em 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro.
'Hostil ao Ocidente'
"O papel do Brasil no centro de um Brics expandido e dominado por um regime mais autoritário faz parte da política externa cada vez mais incoerente de Lula", diz a The Economist.
O texto também destaca o afastamento entre o governo brasileiro atual e os Estados Unidos comandados por Donald Trump.
"Não há registro de que os dois homens tenham se encontrado pessoalmente, o que torna o Brasil a maior economia cujo líder não apertou a mão do presidente dos Estados Unidos", afirma a publicação. "Em vez disso, Lula corteja a China. Ele se encontrou com Xi Jinping, o presidente da China, duas vezes no ano passado."
A revista ainda cita a viagem de Lula à Rússia em maio para as celebrações do aniversário de 80 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial.
"Ele aproveitou a viagem para tentar convencer Vladimir Putin de que o Brasil deveria mediar o fim da guerra na Ucrânia. Nem Putin nem ninguém lhe deu ouvidos."
O afastamento da Argentina desde a eleição de Javier Milei em 2023 e as demonstrações de apoio à Venezuela no início do seu governo também são apontadas como parte da "incoerência" em política externa de Lula.