O ano de 2025 começou com um movimento que já era esperado por especialistas, mas que ainda assim provoca preocupação entre empresas e consultores. A Amil voltou a registrar o maior reajuste entre as operadoras de saúde do país, atingindo 15,75 por cento e mantendo a liderança pelo terceiro ano consecutivo. Para o setor, a sequência de aumentos elevados confirma um cenário de forte pressão sobre custos e orçamentos corporativos.
Outras operadoras também apresentaram porcentuais expressivos, porém nenhuma alcançou o patamar da Amil. Porto Seguro, Bradesco Saúde, Unimed Nacional, Sul América, Hapvida, NotreDame Intermédica e diferentes unidades regionais da Unimed aplicaram altas entre 8 e 15 por cento. Mesmo assim, todas permaneceram abaixo da correção imposta pela líder do ranking.
O impacto é ainda maior porque mais de 80 por cento dos beneficiários do país estão vinculados a planos coletivos, cujos reajustes não passam por divulgação oficial da ANS. A regulação abrange somente os contratos individuais, que representam uma parcela muito menor do mercado. Na prática, empresas e trabalhadores convivem com aumentos significativos sem acesso claro aos parâmetros utilizados nas negociações.
O setor de saúde suplementar atravessa um período em que os custos médico-hospitalares têm aumentado de forma muito acima da inflação geral. Internações cresceram, tratamentos complexos se tornaram mais frequentes e novas terapias, muitas delas dependentes de medicamentos importados, chegaram ao país com valores elevados. A VCMH permaneceu próxima de 20 por cento, um indicador que expõe o descompasso entre os gastos assistenciais e o restante da economia.
Boa parte das carteiras empresariais opera com sinistralidade acima de 90 por cento. Quando despesas e receitas se aproximam desse ponto de equilíbrio frágil, os reajustes acabam se intensificando. O envelhecimento dos beneficiários também contribui para aumentar a utilização dos serviços, resultado de um país que envelhece mais rápido do que há algumas décadas.
Consultores apontam que a Amil ocupa o topo dos reajustes por motivos específicos. A operadora concentra carteiras com alta demanda por procedimentos de grande complexidade e mantém contratos com redes hospitalares que praticam valores mais elevados. A persistência de sinistros acima da média e o acúmulo de três anos seguidos de aumentos intensos tornam a base contratual mais difícil de corrigir ao longo do tempo.
Um gestor de benefícios de uma multinacional relatou que já não consegue justificar internamente a nova alta. Ele afirmou que negociações se estenderam por semanas, mas a repetição de reajustes acima de 15 por cento tornou impossível acomodar os valores no orçamento previsto para 2025.
Enquanto isso, operadoras verticalizadas, como Hapvida e NotreDame Intermédica, apresentaram correções mais moderadas. Ao administrar hospitais, clínicas e laboratórios próprios, essas empresas conseguem prever melhor seus custos e evitam a dependência das redes terceirizadas. As Unimeds regionais também registraram aumentos menores, situados entre 8 e 12 por cento, reflexo de um controle mais próximo da operação local.
A falta de uma referência clara para os planos coletivos continua sendo um dos principais pontos de insatisfação entre empresas e consultores. Como o índice oficial da ANS reflete apenas os contratos individuais, a maior parte dos usuários segue sem parâmetros para avaliar os reajustes aplicados.
Com a Amil novamente à frente dos aumentos e com o setor ainda pressionado por custos crescentes, o debate sobre transparência e sustentabilidade dos planos de saúde deve ganhar mais força ao longo de 2025.