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MBL nega ter traído manifestações pró-Bolsonaro: ‘Nós nunca aderimos’

O deputado estadual de São Paulo Arthur do Val (MamãeFalei) (DEM) e o vereador Fernando Holiday (DEM), lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL), explicaram por que o coletivo não aderiu às manifestações a favor do governo Jair Bolsonaro no último domingo (26). Em entrevista ao Pânico nesta terça-feira (28), os parlamentares afirmaram que não concordaram com o instrumento utilizado para demonstrar apoio ao presidente. “A gente não foi na manifestação porque não acredita que era a melhor arma”, disse Holiday.

Por não ter aderido aos protestos, o MBL foi criticado por parte dos apoiadores do presidente. Arthur do Val, Holiday e Kim Kataguiri (DEM-SP) também foram acusados de traição a Bolsonaro. “Não tem como o MBL ser traidor porque nunca foi adesista”, explicou Arthur.

Ele e Kataguiri, eleito deputado federal em 2018, foram acusados de surfar na popularidade de Bolsonaro para conseguir votos nas eleições do ano passado. Do Val negou que isso tenha acontecido. “A gente apoiou o Bolsonaro depois da nossa eleição, porque estávamos numa situação dicotômica”, disse, lembrando que o presidente concorreu com o petista Fernando Haddad no segundo turno. “Não me arrependo nem um segundo do apoio e do meu voto, estamos torcendo por esse governo.”

Para Fernando Holiday, as críticas são injustas. “Eu quase tomei um tiro na Câmara Municipal porque fui relator da reforma da Previdência [em São Paulo]”, disse o vereador. “A gente não correu tantos riscos para chegar no fim das coisas e ser chamado de traidor da pátria.”

Mesmo sem ter participado das manifestações, os parlamentares parabenizaram quem foi às ruas. “Eu dou meus parabéns às pessoas que foram às manifestações pedindo pautas republicanas. Existe uma parte da manifestação que pedia fechamento do Congresso, do STF, o que não é a maioria”, disse do Val. O deputado, no entanto, não acha que a mobilização trouxe benefícios ao país. “Hoje, o efeito político da manifestação é mais negativo que positivo. Não acho que o Rodrigo Maia está morrendo de medo do povo”, avaliou.

Centrão

Parte dos protestos deste domingo também foi contra o chamado centrão do Congresso. Apesar de ser do mesmo partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, Arthur do Val concorda que o centrão atrapalha as coisas.

“Eu considero que o centrão é o câncer do Brasil”, disse. Por essa posição, ele tem sofrido na Assembleia Legislativa de São Paulo. “Eu não me dou bem com meu próprio partido. Estou sendo perseguido por todos os lados”, afirmou. Ele ainda negou que os congressistas sejam corruptos “A maioria do congresso não é corrupta, é burra. O cara vota de acordo com o que o líder partidário mandou ele fazer.”