Empresas se unem para para desenvolver respiradores e equipar UTIs

Com o avanço da pandemia causada pelo novo coronavírus, a procura pelos chamados respiradores disparou. Como a oferta no mercado é insuficiente não só no Brasil, mas no exterior, a EMBRAPPI anunciou, nesta quarta-feira (25), que vai investir no desenvolvimento de um novo tipo de respirador para auxiliar o tratamento de pacientes com quadro respiratório grave.

A tecnologia é pioneira no Brasil e trará mais eficiência aos procedimentos médicos a custos mais baixos. Segundo diretor de planejamento e gestão da EMBRAPII, José Luis Gordon, a produção, em parceria com o Instituto Eldorado e a empresa Braile, será 100% nacional.

A tecnologia para o desenvolvimento dos novos respiradores deve ficar pronta em até oito semanas. Depois disso, um lote inicial com 100 equipamentos deve ser produzido e enviado aos 21 centros capacitados na operação de respiração extracorpórea.

Segundo o especialista em desenvolvimento de produtos da Braile, Fernando Arruda, eles vão funcionar como uma espécie de “pulmão auxiliar” durante o tratamento.

Porém, o secretário-executivo do ministério da saúde, João Gabbardo dos Reis, ressalta que fabricantes de equipamentos de UTI continuam proibidos de vender ou exportar sem aprovação da pasta.

UTI

O Ministério da Saúde estima que o SUS esteja com até 13 mil leitos de UTI disponíveis para atender pacientes infectados com o coronavírus. Segundo a pasta, esse número era de aproximadamente 5 mil antes das cirurgias eletivas serem desmarcadas.

Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, além dos leitos serem insuficientes para a demanda de uma pandemia, eles também são distribuídos de forma irregular pelo país. Para a presidente da AMIB, Suzana Lobo, a população deve continuar seguindo as recomendações do Ministério da Saúde.

A preocupação é maior na cidade de São Paulo, que concentra a maior parte dos infectados no país. A meta do secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, é dobrar o número de leitos de UTI até o final de abril, incluindo os dois hospitais de campanha.

O Ministério da Saúde diz que, apesar da distribuição desigual, o Brasil tem 2,6 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes — proporção maior que países como o Reino Unido, Itália e França — e está preparado para enfrentar a pandemia.