Crise EUA x Irã deve gerar instabilidade nos preços dos combustíveis, mas não grandes altas

O mercado do petróleo mudou muito e a relação do Brasil com as crises do combustível também. É isso o que avalia o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Décio Oddone, sobre os riscos de impacto da crise entre EUA e Irã nos combustíveis.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Décio afirmou que “ninguém está afirmando que o preço dos combustíveis não vai ser afetado” mas que “o mercado do petróleo mudou muito e a relação do Brasil com as crises do petróleo também”.

Para ele, as crises recentes tem trazido mais volatilidade do que altas desenfreadas nos preços. “Para que haja um grande impacto nos preços, seria necessário haver uma crise profunda com impactos na produção ou dificuldade no fluxo”, disse.

O diretor-geral da ANP citou a greve dos caminhoneiros em 2018 — resultado do aumento dos preços dos combustíveis — e também o ataque a refinarias na Arábia Saudita em setembro de 2019 — que elevou os preços novamente, mas logo retrocedeu.

De acordo com Oddone, incertezas nessa área significam aumento de instabilidade, possibilidade de conflito mais aberto e implicações no mercado de trabalho.

“Outros países politicamente instáveis também tiveram aumento na produção como Noruega, Austrália e o próprio Brasil. Isso mudou a geopolítica porque a dependência do Oriente Médio diminuiu e o interesso americano também diminuiu. Se os preços subirem muito, a produção pode subir muito rápido também. Além das mudanças na oferta, houveram transformações na demanda.”

Oddone explica que, no Brasil, essa transformação foi ainda maior. “Nos anos 70 o Brasil produzia menos de 200 mil barris por dia. Esse quadro mudou completamente. Hoje são 3 milhões de barris de produção por dia. Em 10 anos devemos nos tornar um dos maiores exportadores de petróleo”, finalizou.