Cientistas se animam com possibilidade de ampliar pesquisas em nova base na Antártica

A nova estação brasileira na Antártica, batizada de Estação Antártica Comandante Ferraz, será reinaugurada nesta terça-feira (14) com a presença de ministros e autoridades. A reabertura acontece quase 8 anos depois de um incêndio destruir 70% da base, deixando dois militares mortos.

Agora, além de contar com 17 laboratórios, academia, cozinha, biblioteca e ambulatório, o local também possui um sistema para evitar novas tragédias, com sensores de fumaça, alarmes e estruturas capazes de conter o fogo em caso de incêndio.

O professor do departamento departamento de Botânica da Universidade de Brasília, Paulo Câmara, está por lá e afirma que as pesquisas brasileiras não pararam nem após o incêndio.

Ele ressalta, no entanto, a importância da reconstrução da estação para que o Brasil tenha poder de decisão no território, conforme estipulado no Tratado da Antártica.

Luiz Henrique Rosa, professor de microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais, que também está fazendo pesquisa na Antártica, lembra que os recursos locais tem impacto direto no Brasil.

“O clima da Antártica impacta no clima brasileiro, no agronegócio. O Oceano Austral impacta no oceano brasileiro, na Amazônia Azul. Na Antártica temos vários recursos minerais e biológicos desconhecidos, e só vai avançar quem fizer pesquisa pela Antártica. Por isso é importante o Brasil atuar no programa, gerando ciência de alta qualidade.”

Além dos professores, cientistas da Fiocruz já confirmaram que devem conduzir pesquisas de microbiologia a partir da análise de fungos que só existem na Antártica. A agência Internacional de Energia Atômica também afirmou que vai desenvolver projetos meteorológicos na base brasileira.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, o contra-almirante Sérgio Guida, gerente do Programa Antártico Brasileiro, explicou que há 19 projetos sendo executados no momento. Ao todo, o governo brasileiro investiu cerca de US$ 100 milhões na nova estação.

A reinauguração será feita pelo vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, e por vários ministros. O presidente Jair Bolsonaro participaria do evento, mas precisou cancelar devido a recomendações médicas.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini