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‘Terceira Guerra Mundial não vai acontecer’, diz professor de relações internacionais sobre conflito EUA-Irã

O professor de Relações Internacionais da FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas), Manuel Furriela, descartou a possibilidade de que uma Terceira Guerra Mundial vá acontecer. Nesta sexta-feira (3), após a notícia de que, por ordem de Donald Trump, os Estados Unidos atacaram e mataram Qassem Soleimani, principal general do Irã, hashtags sobre uma nova guerra dominaram as redes sociais do Brasil e do mundo.

Furriela, no entanto, ressaltou que não há motivo para pânico, uma vez que o Irã, sozinho, não tem potência para se envolver em um conflito tão grande. “Uma Guerra Mundial deveria envolver potências. O Irã é uma potência importante na região, é uma potência regional, assim como o Brasil é na América do Sul – e rivaliza com outras potências regionais, como a Arábia Saudita. Então não vai ter uma Terceira Guerra Mundial por conta disso: o Irã teria que trazer uma série de apoios de outros países para que houvesse esse tipo de confronto”, disse, em entrevista ao Jornal da Manhã.

“Esse seria um confronto entre várias correntes do mundo, mas o irã não representa uma corrente, mas sim a si próprio e a alguns grupos religiosos dentro de vários países, como o Iraque. Então você não vai ter um conflito desse tamanho, não há como se construir algo desse gênero”, garantiu.

Mesmo assim, o professor avalia que o ataque dos EUA foi uma “medida extrema” para demonstrar força e reação aos ataques que vinha sofrendo dos iranianos, como a invasão da embaixada americana em Bagdá, no Iraque, e outros tipos de hostilizações que vinham acontecendo em escalada. “A gente não esperava que a medida seria tão extrema, porque o general [Soleimani] é considerado a segunda pessoa mais importante do Irã para muitas pessoas, mais importante, inclusive, do que o presidente da República, já que é ligado ao aiatolá Ali Khamenei, liderança religiosa que rege o país desde 1979.”

“A morte de Soleimani seria equivalente a morte de um chefe de Estado para o povo iraquiano. Não esperávamos uma medida tão extrema porque Trump tem buscado uma tendência menos intervencionista do que governo anteriores, tanto que houve retirada e diminuição de tropas americanas no exterior. Não esperávamos uma medida desse tamanho, mas algo mais relativo. Algo desse nível foi, realmente, uma surpresa”, avaliou.

Apesar do susto, Furriela considera que o ataque foi bem pensado. “Ele é um chefe militar iraniano que estava no Iraque. Os Estados Unidos podem alegar que a interferência dele no país causou várias mortes de lideranças ligadas aos EUA, inclusive com interferência parcial na embaixada. Ele foi morto atuando no Iraque. Os Estados Unidos aproveitaram a chance que ele estava lá, e não no Irã, o que seria um agravante”, explicou.

Próximos passos

Furriela acredita que, agora, a tendência é que os EUA acalmem os ânimos. “Acredto que agora, eles vão poupar atos de hostilidade. Quiseram dar um sinal e deram”, afirmou. Segundo ele, é possível que a Rússia entre para tentar mediar o conflito, já que o país possui alguma interlocução com o Irã.

“Ela tem boa relação com todos ali, então vai ser um bom canal. Caso a Rússia se interesse, vai ser um ponto de diálogo, pacificação e contraponto aos americanos, uma vez que é outra potência”, finalizou.